«Primeiro dia do último mês do ano e já sinto o coração desfeito. Não sei se é ingenuidade ou teimosia o facto de ainda permanecer aqui. Não sei porque ainda acredito no que me dizes. É mentira, não sentes, nem sei então porque dizes o que dizes. Estou aqui, a riscar o meu diário antigo, antigo como tu, de páginas sem cor assim como os teus olhos. Pára. Os meus cabelos ruivos já caiem na almofada sem força para um novo dia. Confusa. Não sei se ainda me fazes bem ou se só me fazes mal. O que me faz bem é o passado e esse não volta, então vou arrumar todas as tuas coisas numa caixa de papelão, vou pô-la a um canto do quarto, que um dia já foi nosso e agora é só meu, meu e das minhas emoções. Vou pegar na minha viola e cantar para chuva, fingir que já não existes em mim, fingir que vai tudo morrer de vez, fingir que tu ainda és a mesma pessoa. Vou fingir que o meu cabelo vermelho ainda vibra com o teu toque, quando já nem sequer me tocas.
Oh, acabou... »A ruiva vai cantar para a chuva, mas eu, eu vou dizer que a noite de ontem foi qualquer coisa de muito boa e hoje não me apetece estar de mal com a vida então vou lutar por isso :)